Capital Intelectual

Publicado: 12 de novembro de 2011 em Textos
Tags:, ,

Você se mantém empregável? A empresa em que você trabalha se preocupa com a sua qualificação? O assunto de hoje mexe com os dois lados da moeda – o empregador e o empregado. Parece desnecessário falar sobre algo que já deveria estar na mente de ambos. Porém, ao conversar com profissionais e gestores, vejo que a consciência sobre o assunto ainda não é geral.


Um erro comum é achar que estar empregável significa atender apenas às expectativas da empresa em que se trabalha. Mas, não é lenda: o mercado muda muito, e é preciso se manter atualizado, estudando e fazendo novos cursos a todo o momento. Isso faz com que você, primeiro, não fique estacionado no cargo em que se encontra. Segundo, a empresa aprenderá a valorizá-lo à medida que você apresenta novidades para ela, seja ao implantar novos processos ou sugerir mudanças que trarão resultados positivos. Isso ajuda o profissional a se manter em vista no mercado.

E as empresas? Os gestores sabem da dificuldade crescente de encontrar talentos. Achar aquela pessoa com qualificações suficientes para preencher o cargo, que tenha um perfil profissional compatível com o da empresa, além de um comportamento adequado para o desempenho da função, é uma equação bastante difícil de resolver. Sem dúvida, após vencer o desafio de encontrar o profissional “perfeito”, vem o esforço em lapidá-lo e, principalmente, mantê-lo na empresa.

Empresas concorrentes cobrem o salário de um profissional se acharem que ele vale a pena. E o que fará o profissional decidir entre a permanência e a saída por um salário maior é o investimento “extra”, o que não é material, o conhecimento e o reconhecimento. A organização que se mostra comprometida com o funcionário ganha muitos pontos com ele, pois ele sabe que a mesma aposta em sua capacidade de crescimento, e sabe que poderá agregar conhecimentos valiosos a ela. O funcionário saberá que há ali uma oportunidade de crescimento para ele em um futuro próximo. E é por isso que, após adquirir os talentos de um profissional, torna-se praticamente uma obrigação por parte da corporação segurá-los a todo custo.

Para isso, a empresa pode fazer investimentos que vão de cursos de especialização, como pós, MBAs, mestrados, etc., a cursos intensivos de assuntos extremamente específicos. Ao oferecer uma bolsa parcial ou integral a um funcionário, você diz a ele, nas entrelinhas, que o quer na empresa e que aposta em seu potencial. Dessa forma, a empresa gera, indiretamente, uma segurança para aquele profissional, além de aguçar sua vontade de permanecer ali por um bom tempo: “Se aqui eu tenho oportunidade de crescer profissionalmente e intelectualmente, vale a pena permanecer”.

Por outro lado, para o profissional que recebe um benefício como esse, é importante ponderar se aquilo será bom para a sua carreira. De nada adianta fazer um curso de especialização em uma área em que você não pretende seguir carreira, só porque a empresa sugeriu. Ter uma especialização só para encher um currículo não vale a pena. Ao aceitar a oferta de uma bolsa de estudos, por exemplo, (ou pedir a bolsa, pois esse movimento também pode partir do funcionário) é preciso levar em consideração se aquele aperfeiçoamento agregará valor ao seu perfil profissional. Não que esse seja o intuito principal, mas, vale lembrar: ninguém sabe como será o dia de amanhã, e estar sempre atraente para o mercado é uma maneira de garantir um futuro seguro.

Por fim, atento para um detalhe extremamente importante para os profissionais que desejam iniciar algum tipo de estudo: independentemente de a empresa em que você trabalha conceder bolsas de estudos ou não, se essa é a sua vontade, vá em busca dela através de seus próprios meios. Não tenho dúvidas de que cada um sabe das próprias vontades e objetivos. E, se a vontade de ampliar os horizontes através de uma especialização existe, é porque ela deve ser realizada. Não espere essa chance cair do céu. Mexa seus pauzinhos e parta em busca de suas aspirações.

Ruth Bandeira – Headhunter, Diretora da Regional Sul da De Bernt Entschev Human Capital.

Abraços do Marcus!

Dias vêm e vão e muitos dos profissionais que atendo têm uma dúvida em comum, variando em pequenas nuances apenas sua essência: é importante se manter informado sobre o mundo? Até que ponto se qualificar? Como saber que tipo de vaga cada um consegue preencher pela sua capacitação? Informa­ção e formação são fundamentais para o desenvolvimento completo do profissional, mas é preciso saber dosar estas escolhas com sabedoria.

Profissionais que optam por realizar somente um curso ou outro não se bastam no mercado por muito tempo. Da mesma maneira, ter uma boa formação somente não basta, é preciso se manter atualizado sobre os acontecimentos, nos mais variados âmbitos. Isso ajuda no desenvolvimento crítico e social da pessoa em seu âmbito profissional e pessoal.

É interessante analisar o quanto o conceito de acessibilidade à informação mudou, para melhor. Na minha época eu tinha que recorrer às grandes bibliotecas públicas, que tinham as clássicas coleções de enciclopédias e outros grandes livros. Atualmente, a internet reúne grande parte do conhecimento e tem o que você quiser, como quiser, quando quiser, a um clique.

Porém, nesta delicada relação entre a formação e a informação, que envolve o conhecimento como matéria-prima, disparidades aparecem. Há pessoas que procuram se informar mais que se formar, e vice-versa. Com isso, surgem alguns problemas. Um deles são as pessoas que se tornam “estudantes profissionais”. Estu­dam muito, têm uma qualificação muito boa e geralmente têm dificuldades em achar um cargo que utilize toda a sua capacidade cognitiva e técnica. E também há as pessoas que, apesar de se manterem muito informadas acerca de assuntos gerais, não detêm a formação técnica e específica em sua área de atuação, sendo barrada nos processos seletivos ainda nas primeiras etapas.

Por isso, é crucial que as pessoas saibam selecionar o conteúdo e a quantidade de informação e formação que procuram. A dificuldade está, porém, em saber o que as empresas querem e buscam.

E o que as empresas esperam das pessoas? Esperam basicamente duas coisas: a primeira é que o profissional entregue, com qualidade, aquilo para o que foi contratada. Segundo, esperam potencial.

As empresas não desejam um profissional que saiba fazer somente uma coisa, uma função ou atividade, querem pessoas com potencial de desenvolvimento e crescimento. Isso significa que ela não ficará acomodada às atividades, irá propor mudanças em seu ambiente de trabalho, buscará o desenvolvimento pessoal e da empresa em conjunto.

O interesse neste potencial está, também, naqueles momentos em que o profissional é demandado para fazer atividades muito superiores às quais foi contratado. Isso significa, em curtas palavras, conseguir entregar o próprio trabalho e substituir o chefe em eventualidades, suprindo demandas superiores às quais está habituado a fazer. Ou seja, é aquela pessoa que dá conta do que faz e conseguiria, também, fazer o que seu chefe faz, sem maiores problemas (além da questão de habituar-se ao trabalho dele).

Outro dilema que acompanha os profissionais é a remuneração. Diria que existem duas variáveis para que se chegue ao salário final de uma pessoa: a primeira é que todo trabalho tem um custo e um valor de retorno (em forma de lucro) para a empresa. A empresa pode optar por valorizar ou não um trabalho específico, e determinará o valor (do salário) baseado na dificuldade que o trabalho consiste e na pessoa que o executa. Se o profissional tem o potencial de crescimento, ele será consequentemente mais valorizado. O segundo fator é o valor de mercado.

O que o mercado tem ofertado para este tipo de trabalho é o que também será levado em consideração na hora de estabelecer o salário de uma pessoa. O salário é visto uma commodity (ou matéria-prima, matéria-comercial): quanto mais gente estiver oferecendo um determinado tipo de serviço, a remuneração média irá cair. Agora, quanto maior a complexidade de um serviço, e menos gente se dispor a executá-lo, maior será o valor agregado ao custo desse serviço. É a lei da oferta e procura.

Mas o que salário, commodity, informação e formação têm em comum? Apesar da salada mista de conceitos, saber isto tudo ajuda também que o profissional saiba determinar o “próprio preço” e saiba, em média, “quanto ele vale”.

Esse conhecimento ajuda a fugir do que eu gosto de chamar de “dilema do trapézio”. Muitos profissionais gostam de construir uma base grande e sólida, rica em informação de um lado, e rica em formação do outro. Mas, na hora de se candidatarem a uma vaga, acabam caindo em vagas menos importantes hierarquicamente, sendo subaproveitados na empresa. Ou seja, continuam acima o “trapézio da carreira” com arestas menores que as da base.

Para fugir disto tudo é preciso ter somente um pouco de objetividade. Primeiro, defina o que você quer fazer. Isto é possível fazer em qualquer momento de sua carreira. Seja para escolher uma profissão (na época de vestibular), quando já se iniciou a carreira (para escolher uma especialização) ou quando já se está no meio dela (MBAs e outros). Com isso, será possível determinar qual o tipo de informação que lhe interessa e, consequentemente, que tipo de formação (se necessária) lhe agregará valor de mercado e lhe tornará um profissional mais completo. Com isso em mãos, a chance de se dar bem, escolhendo empregos que se encaixem nas suas qualificações será muito maior.

Como já diria o velho bordão utilizado por jornalistas e outros profissionais da comunicação: Informação demais, nunca é de menos”. Literalmente.

* * * * *

TESTE

Sua carreira está no caminho certo? Marque as alternativas que se encaixam com o seu perfil.

1) Você possui um curso superior e traba­lha na área, sem cresci­mento algum na carreira, há mais de cinco anos.

2) Numa reunião de negócios, seus colegas sempre apreciam as informações e ideias que você expõe.

3) Você, apesar de ser formado em diversos cursos, não procura se manter atualizado sobre conhecimentos diversos, inclusive sobre a sua área de atuação.

4) Apesar de ser formado e possuir cursos de especialização e conheci­mento sobre diversos assuntos per­ti­nentes à sua profissão, está descon­tente com o seu salário ou cargo.

5) Apesar de já estar consolidado no mercado, você está sempre estu­dando e procurando se aprimorar na sua profissão. Sua empresa acom­panha de perto esse processo.

6) Acredita que “a prática leva à perfeição”, por isso não se preocupa em estudar mais.

7) Você é praticamente um noticiário ambulante. Está por dentro de tudo que envolve política, economia, ten­dências de mercado e lê todas as re­vistas de sua área de atuação. Acre­dita que já sabe de tudo e por isso não precisa de uma complemen­tação formal na qualificação.

8) Você procura se manter informado através de jornais, revistas e internet, pois acredita que, quanto mais conhecimento, melhor é para sua carreira.

Se você marcou as alternativas 2,5 ou 8, continue a levar sua carreira da mesma maneira: construindo bases sólidas, cheias em conhecimento. Isso trará benefícios para sua profissão e, consequentemente, para seu bolso. Se você marcou as alter­na­tivas 1, 3, 4, 6 ou 7, está na hora de você rever seus conceitos sobre o mercado de trabalho. Se você busca esta combinação entre formação e informação, mas mesmo assim está descontente com sua remuneração, talvez esteja na hora de arriscar um emprego que esteja ao “seu nível”. Enxergue e acredite em seu potencial que, consequentemente, os outros passarão a lhe valorizar mais.

- – – – – – – – – – – – – – – — – – – – – – – – – – -

Por Bernt Entschev

O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.

Abraços do Marcus!

Recentemente, enquanto lia uma dessas revistas que falam de e sobre profissionais, lembrei-me de um caso curioso. A matéria falava sobre os hobbies e a formação de grandes líderes, e isso me fez lembrar Ernesto. O aspirante a jovem senhor era um daqueles rapazes bons de papo à beça. Ele pediu para tomar um “café com prosa” comigo, pois tinha algumas indagações e outras tantas dúvidas a serem sanadas.

Recebi o rapaz no escritório. Após o bate papo inicial, a primeira coisa que ele pediu foi que eu lesse seu currículo. Mestrado na Espanha, doutorado nos Estados Unidos, poliglota, inúmeros artigos científicos e livros publicados, experiência profissional extensa e por aí vai. Ele então me perguntou “Há alguma coisa de errado nele, Bernt?”. Respondi que não. Pelo contrário, estava impressionado com tudo aquilo. Contou-me ainda que tinha planos para o pós-doutorado, além de que era o responsável por toda a parte de pesquisa da universidade em que estuda. Além disso, tinha um emprego. Tinha.

Ernesto narrou então sua história profissional recente. Tudo ia muito bem, até que a empresa entrou em dificuldades financeiras extremas e, em um momento de grande aperto, o setor dele acabou sendo desativado, inteiro, e todo o pessoal foi despedido. Não havia maneiras de remanejá-lo para outra área, pois seu trabalho era muito específico.

Ao começar a procurar empregos, ele se frustrava. Era chamado para as entrevistas, todos gostavam dele e apreciavam seu currículo e habilidades. Contudo, em um dado momento do processo seletivo, ele sempre era dispensado. Indagado a certa altura do campeonato, decidiu perguntar porque cargas d´água ele havia sido recusado pela contratante: “superqualificação” foi a resposta.

Com essa pulga atrás da orelha ele veio me procurar, e queria uma resposta. Ele chegou a pensar que deveria tirar um pouco de suas qualificações do currículo para ter chances maiores de ser contratado e respondi que de maneira alguma isso deve ser feito. Isso seria, literalmente, desprezar o próprio tempo dedicado ao estudo e à qualificação, um insulto a si mesmo. Contei-lhe então que ele estava se candidatando a vagas que não utilizariam toda a sua capacidade de produção, por isso outros candidatos eram escolhidos.

As empresas dispensam esse tipo de profissional pois, em pouco tempo, ele, que tem uma “superqualificação”, pode se sentir desmotivado pelo trabalho ser muito fácil, ou mesmo por se sentir estagnado gerenciando coisas de grau de importância menor, que ele faria com toda a certeza “com o pé nas costas”.

Aconselhei-o para que se candidatasse a vagas em que todo o seu potencial fosse aproveitado, e que procurasse um desafio à sua altura. Com um novo objetivo em mente, Ernesto deixou o escritório, pensando em que tipo de atividade poderia aplicar seus conhecimentos.

Alguns meses depois ele me procurou novamente. Chamou-me para um café, queria contar as notícias de sua retomada profissional. Ernesto tinha feito um concurso público, onde a vaga ofertada era ministerial. O grau de dificuldade era grande, e encaixava-se na alta qualificação que ele possuía. Foi extremamente bem no teste, porém, ficara empatado com um outro candidato na pontuação. Para a alegria dele, e infortúnio do concorrente, o critério de desempate foi a qualificação. Enquanto ele era doutor, o concorrente era “apenas” mestre.

A qualificação, neste caso, foi critério de desempate para a vaga preterida. Mas, e todas as outras pessoas? Como a informação e a formação devem ser dosadas para conquistar uma vaga? Terça-feira falarei sobre o assunto com vocês aqui, neste mesmo jornal, neste mesmo caderno. Até lá!

- – – – – – – – – – – – – – – — – – – – – – – – – – -

Por Bernt Entschev

O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.

Abraços do Marcus!

Quem nunca reparou um olhar invejoso ao conquistar algo em sua vida? A inveja é popularmente conhecida como a “arma dos incompetentes”, porém, por mais triste que seja admitir, todos nós já fomos vítimas dessa sensação tão detestável. 

O tal “olho gordo” é um sentimento de aversão, raiva e tristeza em relação à felicidade de outra pessoa. É o desejo de ter aquilo que o outro tem. Esse sentimento é muito comum no trabalho devido à constante disputa de poder existente nesse tipo de ambiente. Há frequente competição entre pessoas, além da pressão para se destacar em tempo integral, garantindo assim que outra pessoa não tome seu lugar ou alcance uma posição que você deseja.

É claro que todos querem crescer profissionalmente e financeiramente, mas à medida que essas projeções são feitas, muitas pessoas se esquecem de se concentrar em suas realizações para focar nas dos outros: “se eu tivesse o dinheiro que ele tem, teria um carro melhor que o dele”, “se eu fosse bonita que nem ela, o emprego seria meu”. Pessoas assim não percebem o quanto estão se prejudicando ao perder mais tempo analisando a vida alheia do que planejando suas estratégias de crescimento.

Por mais que o mercado de trabalho estimule a competição, e consequentemente a inveja, o tempo todo, é preciso ter consciência de que esse sentimento só atrasa o seu desenvolvimento. Não se culpe se uma vez ou outra sentir inveja de alguém, porém se isso é comum em sua vida, preocupe-se e procure trabalhar sua autoestima e sua autoconfiança. Perder tempo se lamentando por não ter o que os outros possuem é uma atitude egocêntrica que não trará nenhum resultado positivo para sua vida. Concentre-se na sua vida e no que você possui para descobrir a melhor forma de usufruir de tudo isso.

Repare em pessoas que o menosprezam ou te imitam. Muito provavelmente, essas pessoas sentem inveja de você, então procure se afastar delas.

Se você conquistou alguma coisa, evite falar sobre o assunto no seu ambiente de trabalho. Se mesmo assim percebe que alguém lhe trata de forma hostil, evite falar sobre isso com essa pessoa e divida sua felicidade com pessoas que ficarão igualmente felizes com você. Por outro lado, se você é obrigado a conviver diariamente com um invejoso no trabalho, se prepare. Qualquer conquista ou outro motivo de alegria resulta numa de dor de cotovelos, por isso seja extremamente profissional: não fale sobre sua vida pessoal ou nenhum outro assunto que dê brechas ao invejoso para armar, de alguma maneira, algo contra você.

- – – – – – – – – – – – – – – — – – – – – – – – – – -

Por Bernt Entschev

O artigo foi originalmente publicado no Blog Vida Executiva, da Revista Amanhã. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.

Abraços! Marcus Garcia

O trabalho é um lugar fantástico para surgirem divergências e conflitos. A formação técnica de uma pessoa aliada à sua personalidade propiciará esta diferença de opiniões a respeito de um determinado assunto que vemos na rotina de trabalho. Mas, antes de entrar diretamente no assunto, vamos entender melhor o que é exatamente uma crise, um conflito. O dicionário Aurélio define: ruptura de equilíbrio; manifestação exagerada de um sentimento; tensão; conflito. Eu diria que uma combinação destes fatores é o que propicia uma crise, mas, sobretudo, o que está no centro disso tudo é a divergência de opinião ou de intenção (sobre um objetivo, resultado, processo etc.), entre duas ou mais pessoas.

Conflito é parte de nossa natureza e significa também crescimento, progresso. Sem a divergência de pensamentos, atitudes, tendências, o homem não teria evoluído. A História está cheia desses exemplos. Grandes invenções e descobertas do homem começaram com indivíduos que pensaram diferente do resto. Lembre-se de Nicolau Copérnico e o hélio-centrismo, Isaac Newton e a gravidade, Voltaire e a liberdade civil, Santos Dumont e o avião e tantos outros cientistas, pensadores e filósofos que pagaram até mesmo com a vida pela defesa de suas ideias. Estes homens causaram conflitos com pessoas de suas épocas, e para superar isso formularam e provaram suas teorias elaborando estudos e embasando-os em fatos e experiências.

Trazendo isso para os dias de hoje e para o que as empresas se tornaram, aprender a lidar com a divergência se tornou uma grande competência. Não é algo que cabe somente aos chefes ou gestores de equipe, mas deve estar em todos os integrantes de um grupo. Quando pessoas têm diferentes intenções em relação a um objetivo, resultado ou processo, é natural que ali se instale uma disputa, cada um em favor de sua ideia. E para cada situação, há uma resolução.

Geralmente um conflito forma sua base nas ideias dos colaboradores. Isso acontece quando, por exemplo, há opiniões diferentes sobre a maneira de se fazer algo, qual objetivo devem atingir primeiro, o que deve ser prioridade no momento e por aí vai. Em uma situação dessas, primeiro de tudo, não deixe o calor do momento lhe tirar do sério. Quando a disputa sobre uma ideia ou opinião tem raízes que envolvem processos e resultados da empresa é muito importante que os participantes do embate tenham suas conclusões embasadas em fatos e dados. Além disso, é bom deixar a intuição de lado. Achismos geralmente não funcionam quando resultados e dinheiro da empresa estão envolvidos.

Se as duas pessoas não conseguem de jeito algum reconhecer qual das ideias é melhor, ou se a combinação de alguns fatores poderia dar uma terceira opção ainda mais interessante, levar o caso para outros colegas ou superiores ajudarem a analisar o caso pode ser uma boa saída.

Mas é possível também que o problema esteja além de uma ideia, ele pode estar no comportamento das pessoas. Arrogância, competitividade, orgulho; há pessoas que possuem estas características muito fortes na personalidade, e isso atrapalha, dentre outras coisas, o próprio relacionamento interpessoal dela com os colegas.

Algumas características facilitam bastante quando se está lidando com pessoas de temperamento difícil. Saber lidar com a arrogância (pessoas que não dão o braço a torcer de que estão erradas e insistem em dizer que têm a razão), saber ouvir, basear as opiniões em fatos e argumentações sólidas, ao contrário de achismos, além de evitar diálogos, conversas e argumentações que não levam a nada.

Acima de qualquer coisa, sugiro que as pessoas sejam diplomáticas no trabalho. Se você não quer passar por um problema, não crie oportunidades que podem desencadear em um.

Por último, lembre que a divergência não é boa por si só, mas pelo resultado que ela trás. O líder não deve se preocupar enquanto a equipe estiver debatendo e discutindo ideias, ele deve se preocupar quando houver silêncio.

• • • • • • •

Teste

Será que você coopera com os colegas no ambiente de trabalho, ou é tão inflexível que está criando conflitos sem perceber?

1) Ao expor sua opinião, procura funda­mentar em fatos e dados concretos.

2) Apesar de saber que os colegas também elaboram boas ideias, acredita que as suas estão sempre à frente dos demais.

3) Feedbacks são praticamente uma afronta pessoal.

4) Reclama da maneira que as coisas são feitas e não propõe alternativas para solucioná-las.

5) Oferece-se para ajudar os colegas na realização do trabalho.

6) Expõe seus pontos de vista sem ofender ou desvalorizar os demais.

7) Ao apresentar ideias e resultados, prefere dizer que foi o líder responsável pela condução do bom projeto, ao invés de dividir os méritos com os demais.

8) Demonstra preocupação com o bem estar dos colegas.

9) Preocupa-se com o que será dito e se o conteúdo afetará positiva ou negativamente os envolvidos.

10) É bastante conservador a qualquer tipo de mudança.

11) Ouve a opinião e sugestões da equipe para tomar decisões melhores.

12) Mesmo não possuindo a posição de liderança, tenta influenciar e sugerir melhores alternativas de execução do trabalho.

Se você marcou as alternativas 1, 5, 6, 8, 11 ou 12, seu comportamento não prejudica o relacionamento com os colegas nem os resultados da empresa. Demonstra ser um profissional flexível e aberto a mudanças e sugestões. Mas se você marcou as alternativas 2, 3, 4, 7 ou 10 seria bom rever sobre sua maneira de lidar com os colegas, com os processos do trabalho e analisar se você não tem sido o ponto de conflito ou desarmonia da equipe. Aprender a ouvir pode ser o primeiro grande passo para essa mudança.

- – – – – – – – – – – – – – – — – – – – – – – – – – -

Por Bernt Entschev

O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.

Abraços do Marcus!

Mais comum do que se imagina, esse problema pode ser combatido com uma comunicação interna focada na conscientização dos profissionais.

Famoso por ser praticado nas escolas, o bullying tem como objetivo discriminar uma pessoa em específico. Apesar de muitos terem a consciência sobre a existência dessa prática, o bullying também ocorre no meio corporativo.

Assim como o bullying escolar, o corporativo discrimina por características físicas, sotaque, naturalidade ou qualquer coisa que possa virar motivo de deboche. Além disso, podem existir calotes, humilhações, apelidos e brincadeiras de mau gosto. Essas atitudes crescem silenciosamente dentro da empresa, uma vez que os agressores geralmente chantageiam o alvo de alguma maneira.

Para quem sofre bullying corporativo, as consequências mais frequentes são: baixa autoestima, depressão, queda de rendimento no trabalho, atrasos e faltas. Essas atitudes afetam não só a credibilidade do profissional, como também o desempenho da empresa.

O bullying geralmente não tem um motivo sério para acontecer, mas quase sempre começa quando uma pessoa se sente ameaçada por outra por medo de ser demitida, ofuscada ou de que o colega seja promovido.

Para evitar esse tipo de prática dentro da empresa, algumas atitudes podem ser tomadas. A primeira é não aceitar provocações. O agredido não deve responder ou aceitar qualquer tipo de ofensa, pois é exatamente isso que o agressor quer – que ele se sinta intimidado ou magoado. A segunda coisa a ser feita para quem sofre bullying ou presenciou o ato é denunciar ao superior.

A utilização da comunicação interna da empresa com murais e informativos ajudam muito na conscientização de todos os profissionais. Palestras e bate-papos entre os colaboradores também são formas de prevenir esse tipo de situação na empresa.

Para quem sofre com a discriminação, procurar a ajuda de um psicólogo pode ajudar a enfrentar os próprios complexos. A ajuda dos superiores e da família também é muito importante nesse processo.

Para os superiores e líderes, a dica é ficar atento aos sinais: colegas evitando trabalhar juntos, o surgimento de um novo apelido de um colega de trabalho ou a exclusão de um membro da equipe. Esses são alguns indícios de uma possível prática de bullying. Se esse for o caso, promova uma conversa com os envolvidos para entender os problemas de cada um, o que é determinante para resolver o problema.

- – – – – – – – – – – – – – – — – – – – – – – – – – -

Por Bernt Entschev

O artigo foi originalmente publicado no Blog Vida Executiva, da Revista Amanhã. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.

Abraços do Marcus!

Crise com o chefe

Publicado: 12 de novembro de 2011 em Textos
Tags:, , ,

Há não muito tempo um jovem senhor me procurou. Ele se queixava de que a equipe que liderava estava com pequenas crises. Nisto estavam envolvidos colegas, subordinados e ele, o superior. Havia discussões, desentendimentos, o clima deixou de ser agradável e a produtividade do time começou a cair. Após conversarmos, lembrei-me de quando eu mesmo tive uma pequena crise com um de meus chefes.

Ao contrário do que muitos já imaginam logo de início, nós adorávamos trabalhar juntos, eu o admirava, e muito. Ele era uma pessoa brilhante, e tinha muita confiança no meu trabalho. Trabalhamos um bom tempo na mesma equipe e o nosso relacionamento nunca teve problemas. Até que o fim de um ano específico chegou.

A chegada do mês de dezembro trouxe outra coisa além do calor: a festa de confraternização da empresa havia finalmente chegado. Os colaboradores, todos, colocaram um fim à ansiedade de aguardar pela grandiosa festa da empresa. Geralmente realizada em chácaras com piscina, salões de jogos, camas elásticas e outras atrações, a festa era estendida a toda a família. Eu mesmo levei minha esposa e filhos, ainda pequenos.

As crianças ganhavam presentes, havia abundância de carne e, consequentemente, de bebidas. Não há como negar que o brasileiro adora caipirinha, cerveja, ainda mais na companhia de bons amigos. Após muitas brincadeiras, futebol e campeonato de truco o momento de conversa e descontração tomou força na festa, e os colaboradores aproveitaram para conhecer os novos filhos que haviam nascido, as novas esposas e maridos de casamentos recentes e por aí vai.

Meu chefe, extremamente sociável com todos, havia exagerado um pouquinho na dose de bebida e acabou fazendo um comentário bastante inoportuno, que me deixou muito magoado. Desconsiderei o acontecimento na hora e decidi preservar a conversa para um dia de trabalho comum.

Na segunda-feira, chamei-o para conversar e expus a situação. Disse que me senti afetado pela brincadeira de mau gosto dele e disse que não admitia esse tipo de comportamento. Ele se lembrava do comentário que havia feito e ficou obviamente muito envergonhado pelo fato.

Após termos acertado a situação, nosso relacionamento nunca mais foi o mesmo. Apesar de eu conhecer o trabalho dele, e ele o meu, sentíamos um desconforto estranho sempre que nos víamos. Era inevitável. Anos de convivência tiveram um infeliz desencadear.

Você pode ter pensado que foi bobeira, coisa de momento, mas a mensagem que deixo é que, no trabalho, se você não quer passar por uma crise, não se dê oportunidades para criar uma – e beber é um dos primeiros itens da lista.

Divergência de opinião, insatisfação pessoal ou profissional, mau desempenho, tudo pode ruir o bom relacionamento e desempenho de uma equipe. Qual a melhor maneira de agir, como evitar e como resolver essas adversidades? Terça-feira aprofundarei este assunto na Coluna Talento em Pauta. Até lá!

- – – – – – – – – – – – – – – — – – – – – – – – – – -

Por Bernt Entschev

O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.

Abraços do Marcus!

Você já deve ter conhecido algum chefe que sabia tudo da empresa e do negócio em que trabalhava, mas tinha a cabeça dura e o pavio extremamente curto. Ou mesmo aquela pessoa que tinha a capacidade de manter o controle emocional mesmo que “o mundo estivesse acabando”. Pois bem, essas habilidades extremamente distintas, a experiência profissional e a inteligência emocional, são itens muito avaliados constantemente por gestores nas companhias, e fazem muita diferença em situações de crise, por exemplo.

Mas de onde vêm essas habilidades e como elas são desenvolvidas? Começando pela inteligência emocional, muito instintiva, ela diz respeito basicamente às competências que o homem desenvolve em sua vida. Sepa­rando aquelas que são mais utilizadas na esfera corporativa estão: liderança, flexibilidade, foco em resultados, criatividade, iniciativa/proatividade, organização/planejamento, negociação, empatia, trabalho em equipe, tomada de decisão, trabalho sob pressão entre inúmeros outros fatores.

A habilidade emocional é importante no trabalho justamente por envolver todos esses pormenores que envolvem o cotidiano do trabalho, indo além do “saber fazer”, mas sabendo como fazer da melhor maneira possível, sem se deixar influenciar por qualquer circunstância que não tenha relação direta com o fato. Ou seja, decidir algo profissionalmente é basear-se em dados e fatos, não nas fofocas ou na emoção do momento. É parar, refletir e só decidir após ponderar todos os aspectos que envolvem a situação. É utilizar a razão, sendo emocionalmente inteligente.

Esta inteligência, tão subjetiva ao ser analisada friamente, tem como ser desenvolvida, sim. Essas competências, como são chamadas, são muito avaliadas no momento da contratação de um funcionário, por exemplo. Mas a melhor resposta para o desenvolvimento emocional está dentro de si. Uma autoanálise crítica é capaz de apontar as principais habilidades e deficiências que se tem. Apesar de ser óbvio, gosto de repetir que todos nascem com a mesma carga emocional e de conhecimento: nenhuma.

A vida nos ensina (pela tentativa de acerto e erro, ou pelo erro dos outros) como agir com cada tipo de pessoa, em cada tipo de situação, em cada um dos âmbitos (profissional, pessoal), com cada grupo de pessoas (colegas de trabalho, amigos, família). Da mesma maneira, estudar o comportamento humano ou mesmo conversar com pessoas que saibam bastante a respeito disso ajuda muito a desenvolver o quesito relacionamento interpessoal.

O bom controle emocional reflete muito em cada situação que passa: do que a pessoa faz quando derruba café no teclado ou mesmo escolher qual dos 3 subordinados será demitido e qual dos dois restantes deverá ser promovido, sem incluir qualquer carga emocional ou de relacionamento com algum dos três. Sente a dificuldade?

Não tenho dúvidas de que a Psicologia ou a Medicina tenham teorias mais profundas acerca do desenvolvimento cognitivo e das relações interpessoais, mas desejo me ater aqui à qualidade emocional num geral e suas influências na capacidade de exercer bem as funções no trabalho.

Partindo para a experiência profissional, muitos se enganam ao pensar que a vida começa a ensinar sobre responsabilidade e trabalho somente quando se carimba o primeiro registro na Carteira de Trabalho. Eu diria que a escola é o primeiro grande desafio para o homem, que começa a esboçar tanto a personalidade da pessoa e sua relação com o mundo, quanto as afinidades com as áreas de conhecimento que cada um desenvolve (e mais tarde resultam na escolha profissional da pessoa). É nesse lugar que surgem os primeiros trabalhos, a lição de casa, o trabalho em grupo.

E como se ganha experiência profissional? Na vida, cada passo ensina lições valiosas ao homem. Meus primeiros passos na carreira foram como office-boy e vendedor, e aprendi habilidades nessas profissões que são utilizadas por mim até hoje. O tempo de experiência em uma função e a passagem por cargos diferentes na hierarquia complementam o quesito experiência profissional, enquanto o estudo, que deve seguir paralelamente a isso, ajudará a aprofundar o conhecimento técnico.

Pode parecer complicado, mas a soma destes fatores é que constitui cada profissional, com suas peculiaridades específicas. Estas duas habilidades interferem diretamente no trabalho, em todos os níveis, e resultam nessa diversidade de assuntos que debato com vocês todas as semanas. Saber como lidar com cada pessoa (empatia), como reagir a determinadas situações, como aprimorar o desenvolvimento profissional, dicas para isso, dicas para aquilo etc. Digo por mim, após quase três décadas trabalhando com e para as pessoas, não sou um mestre das relações, nem do conhecimento. Busquem aquilo que acreditam e se desenvolvam para chegar lá, esta é a mensagem que deixo a vocês.

- – – – – – – – – – – – – – – — – – – – – – – – – – -

Por Bernt Entschev

O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.

Abraços do Marcus!

Quanto por cento você dá de si mesmo à empresa? Você sempre entrega o que lhe pedem? Se a primeira resposta veio até os “100%”, e a segunda é resumida com um singelo “sim”, eu diria que é possível aprimorar, e muito, este potencial de retorno melhorando a sua iniciativa/proatividade.

A intenção inicial é dar uma “cutucada” na atitude das pessoas, que involuntariamente responderão exatamente o que está abaixo das perguntas. Mas analisando friamente a situação, isto vai além daquela história do copo meio cheio ou meio vazio – que já virou praticamente lenda por aí.

Fazer o que a empresa ou o chefe pedem é relativamente fácil – qualquer um pode fazê-lo, desde que tenha a qualificação necessária. A diferença está no extra. Não que o mercado não procure os profissionais operacionais, estes são muito demandados, mas os proativos são os que geralmente conseguem dar voos mais altos. E como se tornar um profissional proativo?

Sabe aquela pessoa que, primeiramente, bate de porta em porta para pedir emprego? Aquela que além de entregar o relatório, elabora um outro documento com sugestões de aprimoramentos para a área? Aquela que além de voltar com a passagem de avião do chefe, trás também a previsão do tempo, com a agenda cultural da semana e uma relação de restaurantes próximos ao hotel? Aquela que lê e pesquisa sobre a área de trabalho, mesmo que não lhe peçam para fazer isso, mas somente com o intuito conseguir trazer e apresentar novidades para a empresa? Acho que consegui traduzir um pouco do espírito do proativo.

Esse espírito, aliás, geralmente está naquelas pessoas inquietas, que dificilmente se acomodam, que a rotina lhes incomoda, e isso as motiva a buscar sempre mais. Não se trata de ganância por mais poder ou uma promoção, mas sim o utilizar de maneira inteligente a criatividade que todo ser humano tem para oferecer melhorias ao trabalho.

Geralmente as pessoas comparam esse tipo de perfil (proativo) com pessoas comunicativas, que falam com todo mundo e são muito relacionais. Diria que isso é um grande engano. A capacidade relacional é totalmente distinta da capacidade de inovação ou da criatividade. Muitas dessas pessoas, grandes cabeças pensantes, são pessoas extremamente tímidas. E há maneiras de fazer essas pessoas botarem para fora o mundo de ideias que possuem.

Não há ainda uma maneira de adivinhar o que os outros pensam, mas os tímidos podem conversar com o chefe ou com colegas próximos e pedir que lhe incluam mais em projetos diferentes, que peçam mais sua opinião etc. Com isso, naturalmente a pessoa irá desenvolver sua capacidade relacional, além de poder mostrar suas sugestões e pensamentos aos colegas.

Profissionais que vivem de braços cruzados, não oferecem ajuda aos colegas, não pensam diferente, não procuram inovar e ficam somente no feijão com arroz de sempre estão, infelizmente, com os dias contados. As empresas querem cada vez mais pessoas flexíveis, capazes de refletir sobre aquilo que produzem.

Por fim, deixe de lado a preguiça. Descruze os braços, arregace as mangas. Se conseguiu fazer seu trabalho todo num curto espaço de tempo, parabéns! Mas o que mais você pode fazer? Será que ninguém precisa de sua ajuda? Será que não é hora de sugerir algo novo? Pense no seu futuro… se for para crescer, você precisará absorver mais responsabilidades, que vão muito além do que você faz hoje.

- – – – – – – – – – – – – – – — – – – – – – – – – – -

Por Bernt Entschev

O artigo foi originalmente publicado no Blog Vida Executiva, da Revista Amanhã. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.

Abraços do Marcus!

O que preparei para hoje parece até um daqueles casos de televisão, mas, quando conheci a pessoa, fiquei realmente impressionado com a história que me contou.

Ramón era um mineirinho de família bastante simples. Ele, mesmo muito jovem, começou a trabalhar na confecção de bijuterias. O belo-horizontino era muito aplicado. Desde a escola, procurava estudar bastante e se dava bem com os colegas.

O garoto cresceu, terminou parte dos estudos e decidiu ir ao Rio. Sempre sonhou em conhecer a Cidade Maravilhosa e achou que lá era um bom lugar para vender seus produtos. As joias, após anos de prática, estavam mais elaboradas, e a variedade de materiais e seus designs e composições conquistavam os transeuntes que passavam por uma das praças da cidade.

Eis que certo dia passa uma mulher, olha seu mostruário e pergunta se o rapaz aceitaria conversar um momento. “Não posso perder tempo, preciso trabalhar” ele se queixa. “Se eu comprar todas as ‘bijus’ que estão aqui você conversaria comigo?”, ela retruca. De sorriso no rosto, ele devolve “até amanhã, se você quiser”.

Ela revelou mais tarde ser a editora-chefe de uma importante revista de moda, e pediu que ambos se encontrassem no prédio da redação em que ela trabalhava uma semana depois. Com o dinheiro da venda, investiu em materiais para confeccionar mais produtos e trabalhou a semana toda em novas peças. No dia combinado, pessoas que haviam lido a revista compareceram em massa ao local combinado para comprar aqueles produtos “singulares e de beleza única”, como a editora havia descrito na edição daquela semana da revista, acompanhada de muitas fotos dos produtos.

O preço que ele havia estipulado mentalmente foi facilmente derrubado pela editora. “Cobre seis vezes este valor. Seus produtos são lindos e irão se esgotar como água”. Dito e feito. Sua mercadoria esgotou-se e o dinheiro arrecadado com as vendas foi estrondoso para as expectativas dele. Mal acreditava naquilo tudo. A praça e o prédio da redação viraram seus pontos de venda oficiais, e a clientela feminina era fiel. Pediam produtos de um jeito, pediam de outro jeito, e ele personalizava de acordo com as ordens das clientes.

Após ter se tornado o “joalheiro das bijuterias ambulantes”, a televisão o procurou. O sucesso foi ainda maior. As vendas, que já estavam altas, faziam-no agora trabalhar noite e dia nas peças. Havia lista de espera para a confecção dos pedidos, “Sô um só, mas eu dô conta!”, dizia o mineirinho. Alguns clientes forneciam inclusive o material, pois queriam peças únicas e com o material que mais apreciavam. O carisma do mineiro, aliado à sua meiguice e simplicidade também cativavam o público.

Pouco tempo depois, um empresário local abordou Ramón e perguntou-lhe quanto cobraria para vender a marca que ele criara. Ramón, muito simples, respondeu “uns dez mil reais”. O empresário, para sua surpresa, devolveu um “dez milhões não. Para mim, no máximo dois”.

O dinheiro no bolso rendeu casa nova aos pais e irmãs, além de uma só dele agora no Rio. Com o restante do dinheiro, abriu a própria loja e deixou uma reserva como garantia. Hoje, seu pequeno comércio, sob a imagem da nova marca, continua fazendo sucesso. Afinal de contas, o que o fez se destacar não foi a marca, mas a simpatia e o relacionamento com os clientes, além da habilidade técnica e criativa extremas.

Pode parecer uma história de empreendedorismo, “ideias que deram certo”, sorte, destino ou qualquer outra coisa do tipo, mas o tema desta semana fala sobre a inteligência emocional e a experiência profissional.

A escola fez o papel de oferecer o conceito base sobre as habilidades relacionais e laborais a Ramón. Pesquisas, prazos, lições de casa, trabalhos em grupo etc. No mundo corporativo, reconhecer os próprios sentimentos, manejá-los e utilizá-los nas relações com os outros (classificado como a inteligência emocional), somado à habilidade técnica e o tempo de experiência em uma ou mais funções (experiência profissional) ajudam a formar os profissionais que conhecemos hoje.

Falarei mais profundamente sobre isso na coluna Talento em Pauta desta terça-feira. Até lá!

- – – – – – – – – – – – – – – — – – – – – – – – – – -

Por Bernt Entschev

O artigo foi originalmente publicado no Caderno Classificados, da Gazeta do Povo. Clique aqui ou na imagem abaixo para acessar o local original de publicação.